História do Círio

Desde o século XVII foram muitos os povos, de diversas localidades, que se deslocaram em romaria para prestar devoção à Nossa Senhora da Nazaré.

Estão registados peregrinações colectivas provenientes da Pederneira, Penela, Santarém, Coimbra, Sintra, Ericeira, Colares, Mafra, São Pedro de Dois Portos, Almargem do Bispo, Óbidos, Porto de Mós, Alcobaça e Alhandra, pertencentes a cerca de 36 círios diferentes.


Actualmente já se contam um menor número. São três os círios que ainda hoje estão presentes nas celebrações religiosas anuais, nomeadamente, o círio da Prata Grande, Penela e de Olhalvo. Contudo, o culto à Nossa Senhora da Nazaré é anterior a esta data, apesar de não haver registos físicos do mesmo, julga-se que as peregrinações colectivas remontam o início do século XV, e a crença na Imagem de Nossa Senhora da Nazaré começou a ganhar destaque a partir do milagre de Dom Fuas Roupinho, em 1182.

O Círio da Prata Grande começou, precisamente, na Paróquia da Igreja Nova, há muitos anos, quando um morador do Penedo da Arrifana, João Manuel, já idoso, resolveu ir em romagem à Nazaré.

Em tempos, existiu uma estrada do tempo dos mouros, que saia de Lisboa em direcção a Torres Vedras, atravessava a freguesia da Igreja Nova, desde o Casal do Farelo, passava perto do Lexim, até à Carapinheira, onde tinha um cruzamento para Mafra, Ericeira e outro para o Livramento, Torres Vedras.

Segundo dados já em 1608 vinham de Lisboa e arredores muitos peregrinos ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré da Pederneira, um dia estando o Sr. João Manuel a descansar do seu trabalho debaixo de uma árvore se aproximaram dele um grupo de peregrinos, tendo chegado à conversa que vinham da Nazaré onde se tinha feito milagres nomeadamente a salvação de Dom Fuas Roupinho.

O Sr. João Manuel ficou bastante admirado com a fé dos peregrinos, sendo que a sua mulher havia anos que estava doente, e não tinha cura para tal doença, com a sua fé combinou para no ano seguinte se juntar a eles em peregrinação à Nazaré, como combinado no ano seguinte junto-se à caravana dos peregrinos, prometendo à Virgem Santíssima com a sua fé e esperança dum milagre para a sua esposa, que iria nos anos seguintes também em peregrinação à Nazaré, o que veio a acontecer.

Após ter pedido ao Prior da Igreja Nova as credenciais eclesiásticas para ter aceitação no Santuário e poder participar na peregrinação nos anos seguintes para agradecer à virgem de Nazaré, levou com ele mais companheiros, um de Arrifana e dois de Igreja Nova, e entre os quatro compraram uma bandeira com as insígnias de Nossa Senhora da Nazareth da Pederneira, que no regresso ficava na Igreja da sua freguesia.

O movimento de aderência por parte dos moradores da Igreja Nova e dos arredores foi-se enraizando dando origem à Confraria de Nossa Senhora da Nazareth da Pederneira -Círio da Prata Grande que teve compromisso redigido em 1732 e foi aprovado em 1741 e que conta com 17 Freguesias sendo 13 do Concelho de Mafra, 3 do de Sintra e uma de Torres Vedras.

Excerto do livro do compromisso:

"Toca esta oubrigação a cada huma das freguezias unidas pasado o circulo de dezasete annos por serem outras tantas as Parrochias em que se clauzura esta duração tendo entre ellas o primeiro lugar a da Igreja nova cabeça e instituidora desta confraria donde se comunicou ás mais; agregando se lhe em segundo lugar a de Mafra, depois Santo Izidoro; dahi monte lavar querendo concorrer com a mesma união passado pouco tempo Cheleiros, São Domingos da fanga da fé, Eriçeira, e Nossa Senhora do Porto; com São Pedro da Cadeira que foi a ultima;

A estas freguezias memsionadas se ajuntarão a de São Miguel de Alcainsa, Terrugem e São João das Lampas e N. Senhora da oliveira do Sobral, e pouco depois a todas, Santo Estevão das Galléz, São Silvestre do Gradil, a Azoeira, ocupando finalmente o ultimo lugar da Enchara do Bispo, as quaes todas se achão existentes, e fervorozas e nellas se hade fazer o giro de tal sorte que pasados os dezaseis annos torne aquella mesma donde no primeiro anno tinhâ sahydo, principiando em este de mil e setecentos e trinta e dois no qual se dá a luz este comprimisso... "